💛 Ser mãe na deficiência — um amor que transcende limites
Ser mãe na deficiência. Ser mãe em corpo que não corre, mas que sente tudo. Sou mãe. Sou cadeirante. E isso trouxe‑me desafios constantes — desafios que não pedi, que não esperava, mas que a vida colocou no meu colo ao mesmo tempo que me entregou o maior amor do mundo.
Ser mãe já é, por si só, um território exigente: um lugar onde o coração nunca descansa, onde o corpo se dobra, onde a alma se expande. Quando somos mães, somos a tempo inteiro. Um filho é um pedaço de nós — aquele pedacinho que decidimos acarinhar, proteger, ensinar e amar até ao dia em que ele ganha asas e segue o seu caminho.
Eu escolhi ser mãe sabendo que tinha mobilidade condicionada. Escolhi com consciência, com coragem, com amor. Pensei que seria mais fácil. Não foi. E não foi culpa do meu filho — foi a sociedade que não estava preparada para ver, aceitar ou apoiar a minha decisão.
A minha deficiência limita‑me em muitas tarefas, sim. Mas nunca limitou o meu amor. Nunca limitou a educação que dei. Nunca limitou a forma como brinquei, como inventei mundos, como corri com ele à minha maneira — até à bola joguei na cadeira. Fiz da infância dele um lugar único, cheio de magia, cheio de presença.
Quantas vezes ele se sentou no meu colo já em idade escolar, só para sentir aquele aconchego que não tem preço? Era amor puro, sentido com o coração.
Ser mãe cadeirante é desafiante, mas é profundamente gratificante. Há vinte anos, era também motivo de olhares de lado, de desconfiança, de preconceito. E esses olhares não ficavam só em mim — chegavam ao meu filho. Ele foi vítima de bullying, de comentários cruéis, de uma sociedade que ainda não sabia lidar com a diferença.
O meio escolar nem sempre estava preparado para acolher uma mãe cadeirante, para garantir acessos, para permitir que eu tivesse uma presença ativa na vida do meu filho. Mas eu estive lá. Sempre. Nas reuniões. Na associação de pais. Nos passeios. Nas brincadeiras. Nas histórias de embalar.
Eu estive lá — com o corpo que tenho, com a força que construí, com o amor que nunca me faltou.
Hoje, ele é adulto. Realizado. A construir o seu caminho com valores, empatia e coragem. E eu, mãe cadeirante, continuo ao lado dele — porque o amor que nos une nunca precisou de pernas para caminhar. Apenas precisou de verdade.