Mobilidade e Direitos
Infelizmente, ser portador de mobilidade condicionada, na sociedade de hoje — pelo menos cá em Portugal — parece continuar a ser motivo para nos condicionarem a vida, a liberdade e a independência. Em quase tudo encontramos constrangimentos, impedimentos e desafios que nos lembram que a inclusão ainda é, muitas vezes, apenas uma palavra bonita no papel.
Recentemente, como faço habitualmente, pedi o serviço SIM da CP para garantir o apoio necessário nas minhas viagens. Fiz o pedido com mais de 48 horas de antecedência, para três dias consecutivos, e para minha surpresa recebo, na véspera da primeira viagem, um e‑mail a recusar metade dos pedidos, alegando que só poderia fazer um pedido por dia.
Mas pergunto: e se eu precisar de fazer várias deslocações no mesmo dia, para diferentes locais? Vão negar também? Será que assumem que quem tem mobilidade reduzida não trabalha, não tem compromissos, nem vida ativa? Estes pedidos foram feitos para reuniões de trabalho, mas mesmo que fossem para lazer, onde está o direito à liberdade de circulação garantido pela Constituição da República Portuguesa?
O artigo 13.º consagra o princípio da igualdade — ninguém pode ser prejudicado por motivo de deficiência. O artigo 71.º reforça que o Estado deve promover a autonomia e integração das pessoas com deficiência, garantindo condições de acessibilidade e apoio. No entanto, na prática, o que vemos são barreiras burocráticas que limitam a nossa autonomia e nos fazem sentir invisíveis.
Esta situação é um exemplo claro de como, apesar dos avanços legais, a acessibilidade continua a ser vista como um favor e não como um direito. É um desabafo, mas também um apelo: que se olhe para estas realidades com empatia e urgência. Porque a verdadeira inclusão não se mede por discursos, mas por ações concretas que devolvem dignidade e liberdade a quem apenas quer viver com igualdade.